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sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Assistência Estudantil é desafio para UFRJ

Desde 2014, perdas de R$157 mi


A Universidade do Brasil nunca esteve tão brasileira. Nos corredores da Universidade Federal do Rio de Janeiro cada vez mais é perceptível diversos sotaques, cores, histórias e origens. O crescimento no número de estudantes e a diversidade entre eles amplia o acesso ao conhecimento nas camadas sociais mais baixas, mas também impõe desafios. Um dos mais importantes é a assistência estudantil.
A política de auxílio aos estudantes é um assunto caro, em todos os sentidos, para a vida acadêmica na UFRJ. Se, por um lado, demanda uma parte significativa dos recursos financeiros destinados à instituição, por outro, é um dos fatores cruciais na ampliação do acesso à educação superior. Além das limitações orçamentárias, há ainda as dificuldades impostas pela economia e suas sazonalidades, determinando custos e investimentos. É exatamente nessa encruzilhada que a assistência estudantil na maior universidade do Brasil se encontra atualmente.
A Federal do Rio possui hoje pouco mais de 52 mil estudantes de graduação, distribuídos entre 179 cursos presenciais instalados em 3 campi e 1 polo. A cada ano, são ofertadas cerca de 9 mil novas vagas para a graduação, divididas em dois semestres. O corpo de servidores é composto por pouco mais de 4 mil docentes e 8 mil funcionários técnicos. Tudo isso sustentado por um orçamento atual de aproximadamente R$400 milhões.



No entanto, desde 2014, a universidade tem sofrido cortes e contingenciamentos que dificultam o pagamento de diversos compromissos. Segundo levantamento, já foram deixados de ser repassados para a instituição cerca de R$157 milhões, desde então. Contudo, de acordo com o estudo “Education at a Glance”, realizado em 2016 pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil é o terceiro país no ranking, entre os pesquisados, que mais investe em educação, considerando integralmente as despesas públicas. Do total de gastos do país, segundo o estudo, 16,1% são com educação, percentual acima da média dos países membros da OCDE, que é de 11,3%. Porém, o alto investimento não se converte em um alto número de diplomas. Apenas 14% da população na faixa etária de 25 a 64 anos completou o ensino superior, índice que deixa o Brasil abaixo de outros países latinoamericanos, como Argentina, Chile, Colômbia e México.
Também é a partir de 2014, que o número de vagas dos tipos ampla concorrência e ação afirmativa (cotas por renda, para estudantes de escolas públicas e autodeclaração racial) ofertadas na graduação tem se aproximado da total paridade. Ou seja, nos últimos três anos, a UFRJ tem ofertado quase a mesma quantidade de vagas tanto para quem se enquadra nos requisitos das cotas, quanto para aqueles que não dispõem do benefício. Esse fato, aliado à adoção do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) como vestibular e o Sistema de Seleção Unificada (SISU) como meio de seleção, tem contribuído para uma mudança no perfil socioeconômico dos alunos da universidade.



Em números, o alunado, que até alguns anos atrás era constituído aproximadamente por 98% de estudantes residentes na região do Grande Rio, agora já tem cerca de 25% dos alunos provenientes de outros estados do país. Já em relação à política de ação afirmativa, segundo a pesquisa interna “Graduação em Números”, as vagas desse tipo correspondem a 49% de toda a oferta, registrando em números absolutos, no ano de 2016, última data do levantamento, 4.632 de um total de 9.329 vagas. Outro aspecto que ilustra bem a mudança no acesso à UFRJ é o perfil de renda dos alunos ingressantes. Ainda segundo a pesquisa sobre a graduação, a faixa de renda predominante desde 2014 é a que compreende de 0 a 1,5 salário mínimo, com 20% dos calouros. Em 2013, esse índice era quatro pontos percentuais menor.


O reitor da UFRJ, Roberto Leher, concedeu entrevista ao Boletim Econômico a respeito das bolsas e dos alunos que ingressaram na universidade através de ações afirmativas. Leher ressaltou as dificuldades financeiras enfrentadas nos últimos anos, argumentando que a reitoria tem se empenhado para continuar assistindo os alunos. Não há previsão, segundo ele, de aumento no valor das bolsas, uma vez que isto implicaria em uma redução do número de beneficiados, o que o reitor considera uma consequência pior. Ainda segundo Leher, a prioridade atual de sua gestão é a construção de mais alojamentos estudantis.

Confira a entrevista completa no vídeo abaixo:


Esses dados servem apenas como métricas para destacar a importância da assistência estudantil entre os alunos da UFRJ. A maior quantidade de estudantes de fora do estado e com hipossuficiência socioeconômica demandam mais da residência estudantil e das bolsas-auxílio.
Vale destacar que a cidade do Rio de Janeiro é uma das metrópoles mais caras para se viver no mundo. No Brasil, o município carioca monopoliza com São Paulo a liderança no quadro de capitais com maior custo de vida. Esse cenário se estabeleceu especialmente após a tentativa de política de pacificação, os grandes eventos, como Copa do Mundo e Olimpíadas, além das obras de infraestrutura que vieram junto desses eventos. Segundo a pesquisa “Custo de Vida no Mundo 2017”, realizada pela Economist Intelligence Unit (EIU), instituição ligada à revista britânica The Economist, entre 132 cidades no mundo pesquisadas, o Rio de Janeiro ocupa atualmente o 76º lugar, registrando um salto de 27 posições. A instituição elege como motivos a combinação de fatores das flutuações nos preços das commodities e do petróleo, a alta da inflação e a valorização do real.


Para atender justamente esses alunos, a UFRJ e o Governo Federal possuem a SuperEst e o PNAES, um departamento específico da própria UFRJ e um programa nacional,  respectivamente, ambos responsáveis pela questão da assistência estudantil em seus segmentos.
A estudante de Biologia Julia Brandes, integrante do DCE (Diretório Central dos Estudantes) da UFRJ, também falou ao Boletim Econômico sobre a situação das bolsas e as reivindicações do movimento estudantil. Julia lembrou a ocupação organizada pelo DCE no campus da Praia Vermelha no ano passado, que, segundo ela, conseguiu a aprovação do aumento de sessenta reais para todas as bolsas. Também foi aprovado que o aumento seria progressivo (ocorrendo a cada semestre), o que, no entanto, não está acontecendo, muito por conta da difícil situação financeira vivida pela universidade.

Confira, na íntegra, a entrevista:


SUPEREST
A Superintendência Geral de Políticas Estudantis (SuperEst) é a estrutura da reitoria voltada especificamente às iniciativas para permanência com qualidade dos estudantes. Uma das funções é a implementação do PNAES (Programa Nacional de Assistência Estudantil). A divisão responsável pelas bolsas é a Divisão de Apoio ao Estudante (DAE), que oferece ainda cuidados de saúde, acessibilidade, esporte cultura e lazer, residência estudantil, restaurante universitário e transporte.
As bolsas são concedidas de acordo com o orçamento anual da universidade e somente para alunos da graduação. Segundo estimativas da própria UFRJ, no total foram gastos, em 2014, considerando PNAES e Orçamento Geral, mais de R$ 70 milhões anuais, cerca de 20% de todo o orçamento. De acordo com a instituição, isso é algo sem paralelo em qualquer outra universidade federal.



No caso das bolsas de responsabilidade da SuperEst, especificamente, há três possibilidades:
Bolsa Auxílio (BAUX) - Assistência financeira no valor de R$460,00 mensais acrescido de auxílio transporte de R$150,00. A bolsa é destinada a estudantes de primeira graduação presencial e utiliza critérios socioeconômicos na avaliação. A seleção é realizada semestralmente através de edital e a renovação é anual.
Bolsa Acesso e Permanência (BAP) – Benefício no valor de R$460,00 mais auxílio transporte variável no valor de R$ 165,00 ou R$ 297,00, a depender do local de moradia do estudante.. É destinado aos ingressantes na modalidade ação afirmativa, com renda familiar per capita de até 1,5 salário mínimo e que tenha cursado o ensino médio integralmente em escola pública. Possui vigência de um ano letivo e não requer processo seletivo. As orientações de requisição da bolsa são divulgadas semestralmente.
Bolsa Moradia Emergencial (BME) – Concedida desde 2013, devido às reformas no prédio da Residência Estudantil. O Benefício Moradia foi substituído por um Auxílio Moradia Emergencial provisório, no valor de R$1.260,00 mensais, para custear a moradia do estudante beneficiário. A seleção é realizada semestralmente através de edital e a renovação é anual.

PNAES
O Plano Nacional de Assistência Estudantil (PNAES) é um programa do Ministério da Educação, criado em 2010, que tem por objetivo apoiar a permanência de estudantes de baixa renda matriculados em cursos de graduação nas instituições federais. Os alunos atendidos são, prioritariamente, jovens vindos da rede pública de educação básica e com renda familiar per capita de até um salário mínimo e meio. O Governo Federal, por meio do programa, repassa recursos para as instituições federais de ensino que, por sua vez, têm de executar ações de assistência à moradia estudantil, alimentação, transporte, à saúde, inclusão digital, cultura, esporte, creche e apoio pedagógico.



De acordo com dados do MEC, foram investidos, em 2015, quase R$ 1 bilhão em auxílio aos estudantes. Em comparação com o ano de 2013, registrou-se um aumento de 61% nos gastos. O porém fica pelo fato de o Ministério não possuir o número exato de beneficiários do programa. Segundo um levantamento do portal de notícias G1, 11 das maiores universidades do país gastam, em média, 2,17% dos seus orçamentos com as políticas de assistência. Nesse grupo, em média, 30% dos universitários dessas instituições foram beneficiados por políticas de assistência estudantil. De acordo com relatório da UFRJ referente ao ano de 2014, as verbas via PNAES representaram mais de 10% do Orçamento Geral, representando R$ 43 milhões.
Em 2017, o Governo Federal anunciou um repasse de mais de R$ 23 milhões ao PNAES. O valor faz parte de um montante de R$ 277 milhões liberados pelo MEC, em agosto de 2016, para as universidades federais.
Na UFRJ, a bolsa oferecida por meio do PNAES é a do Programa de Bolsa de Permanência (PBP – MEC) e é permitido a participação somente de alunos quilombolas ou indígenas. O auxílio consiste em um valor mensal de R$ 400 para estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica. O recurso é pago diretamente ao estudante de graduação, por meio de um cartão de benefício. Para os estudantes indígenas e quilombolas é garantido um valor diferenciado, igual a pelo menos o dobro da bolsa paga aos demais estudantes, devido às especificidades com relação à organização social de suas comunidades, condição geográfica, costumes, línguas, crenças e tradições.



quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Quanto custa estudar na ECO?

As dificuldades de se estudar em uma Universidade federal não acabam com a aprovação no vestibular. Após o ingresso, problemas, sobretudo econômicos, são enfrentados pelo estudante. Apesar do aluno da ECO ser, majoritariamente, das classes média e alta, não é fácil se manter estudando na cidade maravilhosa. Os cariocas não saem imunes, mas são os alunos vindos de fora que mais sentem o peso no bolso: custos de moradia e alimentação elevados, aliados à falta de estrutura do alojamento universitário e a insuficiência dos chamados “bandejões”.

Os preços sobem. As bolsas, não


Ser aprovado no processo seletivo da maior universidade federal do país pode induzir o estudante a esperar receber um ensino de qualidade e gratuito. A Universidade do Brasil, de fato, tem o ensino renomado e não cobra contribuições financeiras de seus discentes. No entanto, isso não anula os gastos necessários para manter uma graduação na 11ª cidade mais cara do mundo, segundo pesquisa divulgada em setembro da consultora imobiliária Savills.

A capital fluminense tem o metro quadrado mais caro do país, de R$10.830. O valor das passagens de trem e metrô também estão no topo do ranking nacional: R$3,20 e R$3,50, respectivamente. Já a de ônibus está empatada com São Paulo/SP, Campo Grande/MS, Recife/PE e Brasília/DF, mas deve liderar na modalidade a partir de 2015, quando deverá ter uma alta de 3%, alcançando R$3,10, arredondando os centavos. O reajuste, segundo a Associação Nacional das Empresas de Transporte Urbano, é necessário devido ao aumento de 5% no preço do Diesel.

De acordo com o Sindicato da Habitação (Secovi Rio), a taxa condominial por metro quadrado na cidade subiu 7,7%, de setembro de 2013 a igual mês deste ano. A alta do aluguel residencial na cidade do Rio, segundo apurou o IBGE, variou 9,61% no mesmo período. Já o Índice Geral de Preços - Mercado (IGPM), da Fundação Getúlio Vargas, teve alta de 3,05% no acumulado do ano até novembro. Já em doze meses, o avanço foi de 3,66%. 

Com custos tão altos, manter-se no Rio de Janeiro para estudar com pouca ou nenhuma renda fixa torna-se um trabalho de Hércules. Alunos cariocas, fluminenses de outras regiões do Estado, intercambistas estrangeiros, além do número crescente de graduandos vindos de outras partes do Brasil, enfrentam uma realidade desafiadora, que pode ameaçar sua permanência na UFRJ.

A Universidade, então, adquire um papel assistencial aos alunos vulneráveis a esse cenário. A Superintendência Geral de Políticas Estudantis (Superest) é a divisão responsável por prover bolsas e auxílios aos universitários. De janeiro a outubro, o órgão distribuiu mais de 55 mil bolsas a 5600 alunos, totalizando R$32,5 milhões. O orçamento do Programa Nacional de Assistência Estudantil prevê que até o fim do ano R$37 milhões em bolsas sejam entregues.

As bolsas não são reajustadas desde o início de 2013, segundo Ericksson Rocha e Almendra, titular da Superest. No entanto, a responsabilidade pelo valor da assistência não é definido pela universidade. "O valor das bolsas de Assistência Estudantil, em todo o país, são na prática indexados ao valor da Bolsa de Iniciação Científica do CNPq e do Capes", explica. O aumento também não é imediato. De acordo com o superintendente, questões orçamentárias da universidade atrasam em alguns meses o ajuste aos demais estudantes.



No período de estagnação das bolsas em R$ 400, a inflação subiu. A nível nacional, o índice chegou a 5,91% em 2013, enquanto, na cidade do Rio de Janeiro, teve alta de 6,16%. Até novembrode 2014, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) já alcança 5,58% no país e 6,13% na Região Metropolitana fluminense, levando-se em conta a variação acumulada no ano. A pesquisa considera os custos das famílias com ganhos de 1 a 40 salários mínimos em dez regiões metropolitanas do país e nas cidades de Goiânia, Brasília e Campo Grande.

O grupo de maior impacto no índice relativo a novembro está diretamente ligado ao cotidiano estudantil: alimentos e bebidas, que foi responsável por 37% do IPCA. O quesito teve a maior variação em novembro, de 0,77%. Entre os subitens, a alta da refeição no mês foi de 0,59%, enquanto a variação acumulada no ano e nos últimos 12 meses alcançou 8,43% e 9,68%, respectivamente.




Já o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), que se refere às famílias com rendimentos de 1 a 5 salários mínimos, indicou que, nos últimos 12 meses, o índice local alcançou 7,44%, acima da média nacional de 6,33%. Ambas as pesquisas divulgadas pelo IBGE mostram o Rio de Janeiro com índices de preços acima dos números do país, conforme mostram os gráficos abaixo:

IPCA




INPC




Universidade não tem estrutura suficiente para assistência estudantil

 

Imagem interna de um dos ambientes do alojamento. Foto enviada pela estudante Ilca Dias.


A UFRJ é a maior universidade federal do Brasil e conhecida por ser um dos pontos de excelência da Educação Superior do país. Com mais de 50 mil estudantes matriculados, é uma das Instituições Federais de Ensino (IFE) com maior parcela de orçamento da União. Em 2014, o investimento feito pelo governo federal girou em torno de 1 bilhão e 900 mil reais (1.955.261.455,55 de reais), sendo destes 37 milhões de reais destinados a implementação de bolsas de assistência estudantil , no ano de 2014.

As bolsas de assistência estudantil (Bolsa Auxílio, Auxílio Manutenção, Bolsa de Acesso e Permanência e respectivos auxílios transporte e Auxílio Moradia Emergencial para o Rio de Janeiro e Macaé) são pagas com recursos orçamentários do Programa Nacional de Assistência Estudantil (PNAES), programa criado em 2008 com intuito de diminuir as desigualdades presente na Universidade brasileira, e que em 2010 tinha orçamento  superior a 300 milhões  para atender demandas de 112 universidades públicas do território nacional, sendo a UFRJ a instituição que recebe a maior fatia dessa divisão.

Mesmo sendo a universidade com maior investimento nas políticas assistencialistas, a realidade de muitos desses estudantes é alarmante. No dia 28 de outubro desse ano, o superintendente das Políticas estudantis da UFRJ enviou um e-mail endereçado a todos os acadêmicos  afirmando  que o perfil dos estudantes da universidade estaria menos elitizado. O e-mail dizia:

"O perfil do nosso alunado mudou, vem mudando muito nos últimos poucos anos. Isso por causa do ingresso via ENEM/SiSU e da política de cotas. Temos mais e mais alunos provenientes de outros Estados e Municípios, mais e mais alunos carentes, mais e mais alunos portadores de deficiência, etc."

Foto enviada pela estudante Ilca Dias.

Breno Botelho, estudante de Ciências Sociais no IFCS, é um desses alunos. Vindo de Teresina, no Piauí, conta que veio para a UFRJ com intuito de se tornar pesquisador “Quem não quer estudar na melhor universidade do seu país?”, indaga.  Ele vive no alojamento da Universidade há quase 2 anos e conta que nesse tempo já teve vontade de desistir do seu sonho muitas vezes. “As condições de vida aqui são muito ruins,até ratos já encontramos na Caixa d'água do Aló.”

Breno foi um dos estudantes que fizeram uma ocupação no prédio da reitoria no mês de setembro em protesto à declaração feita pela reitoria da UFRJ pedindo aos estudantes que não tivessem condições de se manter no Rio de Janeiro, que não prestassem vestibular para a federal da cidade maravilhosa.

“Discutam com suas famílias as condições de sobrevivência no Rio de Janeiro, caso não venham a ser selecionados para receber uma bolsa de assistência estudantil”. Para os bolsistas selecionados a carta recomenda: “devem ter ciência de que a bolsa irá apoiar a sua permanência, mas, certamente, seus familiares terão que arcar com parte dos recursos necessários para sua manutenção nesta cidade cujo custo de vida é dos mais altos do Brasil”. O documento finaliza: “Estudar em outra universidade, mais próxima de casa, pode minimizar custos e significar a diferença entre concretizar um sonho ou vê-lo frustrado por toda a vida”.

À época do acontecimento, a representação estudantil se pronunciou pedindo retratação da  reitoria  “Queremos uma universidade democrática e não uma universidade que diga para os alunos de baixa renda que não os quer aqui”, dizia a nota do Diretório Central dos Estudantes.

A resposta da reitoria veio pelo próprio reitor Carlos Levi,  no Conselho Universitário do dia 14 de agosto:  “Poderíamos rever os termos da carta, mas a ideia foi justamente que os alunos tenham responsabilidade de se candidatar para universidades nas quais tenham condições de se manter”.


 

 Perfil dos estudantes da ECO


Há um perfil socioeconômico predominante entre os alunos da Escola de Comunicação da UFRJ: estudantes das classes média e alta compõem a maior parte do corpo discente. Em uma pesquisa feita com 100 alunos, 75% dos entrevistados alegaram possuir uma renda familiar superior a cinco salários mínimos. Destes, quase metade possui mais de dez salários em casa. Cerca de 1300 alunos estão atualmente matriculados no curso de Comunicação Social.

Outro dado que incrementa esse perfil é o local de moradia de boa parte dos alunos: o bairro com maior número de estudantes residentes é a Tijuca, seguido por Botafogo e Copacabana. Só nesses três bairros, tipicamente das classes média e alta, concentram-se 46% dos alunos pesquisados. Em seguida aparecem os moradores da região metropolitana (Baixada Fluminense, São Gonçalo e Niterói), que contabilizam 12% do total.

É possível buscar uma explicação para o grande número de alunos residentes em Copacabana e Botafogo: a faculdade se localiza praticamente na divisa entre os dois bairros. Tal fator atrairia boa parte dos alunos migrantes de outras partes do Brasil a buscar uma moradia próxima ao Campus da Praia Vermelha, muitas vezes em repúblicas de estudantes.

Entre os estudantes que já estagiam, cerca de 80% recebe mais do que um salário mínimo, e metade destes ganham mais de R$1000,00 por mês. Somente três alunos recebem até R$400,00, dado que provavelmente se refere aos alunos bolsistas de iniciação científica.

Dentre os pais dos alunos, o número de funcionários privados leva ligeira vantagem sobre o de funcionários públicos: 72 e 61, respectivamente. Completam o quadro 17 profissionais autônomos, 3 desempregados e 2 aposentados.

O resultado da pesquisa intriga a muitas pessoas que já percebiam, no dia-a-dia, o perfil socioeconômico do aluno da ECO. A polêmica é: em se tratando de uma faculdade pública, responsável por universalizar o ensino e promover a ascensão social para as camadas mais pobres, será justo abrigar majoritariamente alunos das classes A e B?

Um contraponto desta abordagem é a análise da professora e vice-diretora da Escola, Cristina do Rêgo Monteiro, que atesta para o outro lado da questão: as mudanças que, há anos, vem ocorrendo no perfil socioeconômico do aluno:

“Se são 75% de alunos de classes média e alta, significa que 25% não pertencem a essas camadas. Antigamente esses 25% eram ainda menores. Penso que a entrada de políticas de alcance integrador já se faz sentir. A questão é que nenhuma política pontual modifica um quadro crônico social como o brasileiro”.

Se as políticas aplicadas podem apontar para uma maior inclusão social na ECO e UFRJ como um todo, existiria algum limite de implantação de tais medidas, dentro de um contexto político e econômico maior? A professora se questiona:

“Temos a possibilidade de oferecer um curso gratuito, temos as cotas, temos preocupação com a extensão. Também temos novas propostas de melhores instalações dos alunos vindos de fora do Rio, que hoje em dia são totalmente precárias. Todas essas políticas tendem a integrar, mas se encontram dentro de um sistema. E até que ponto este sistema agrega, realmente? Toda valoração desse sistema, do ponto de vista do que é importante para a sociedade, aponta em qual direção?”

Fica a pergunta para os leitores.

Intercambistas gastam mais com moradia e alimentação


Moradia e alimentação são os principais gastos dos alunos estrangeiros presentes na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A maioria dos alunos inquiridos afirma ter uma despesa entre R$ 901 e R$ 1900 com o alojamento. Estes números apenas vêm confirmar os preços elevados no aluguel de imóveis no Rio de Janeiro.

Segundo a pesquisa sobre o perfil económico respondida por 31 alunos de intercâmbio, os mesmos despendem em média R$ 1970 por mês, o equivalente a 2,5 salários mínimos, ou se quiser, USD$ 650.

Relativamente ao desembolso com a alimentação, mais de 60% dos alunos pesquisados responderam que gastam entre R$ 200 e R$ 500 ao mês, sendo que entre estes o limite despendido pela maioria é de R$ 300. Desta forma, é possível analisar através dos números da amostra que, mesmo que estes alunos tenham feito suas refeições no restaurante universitário, apresentam, ainda assim, valores reduzidos em relação aos preços dos demais restaurantes da cidade.

No entanto, nem só de casa e refeições se faz um gringo da UFRJ. No que toca a choupes, caipirinhas, noite e diversão, o maior número de alunos desembolsa quantias entre os R$ 250 e R$ 750. É certo que em intervalos inferiores, os compreendidos entre R$ 0 e R$ 250, têm um valor expressivo, porém é no intervalo primeiro que se centra a maioria.

O mais interessante surge quando cruzamos os dados médios da alimentação e diversão e entretenimento. Em média um aluno de intercâmbio despende aproximadamente R$ 374 com refeições e R$ 343 com lazer. Em números práticos, são 75 choupes contra 69 se cada um custasse R$ 5.

Como é fácil de constatar, os números de choupes estão muito próximos, sendo assim um indicador de que a alimentação não é de todo a maior preocupação dos alunos de intercâmbio.

As despesas com viagens são as que apresentam os valores mais baixos. Ao contrário do que se passa com uma boa parte dos alunos que fazem intercâmbio na Europa, os da UFRJ não têm muito costume de viajar. Cerca de 65% afirma gastar entre R$ 0 e R$ 300 por mês. Mais uma vez, o motivo está na praticabilidade de preços elevados.

O custo de vida da cidade maravilhosa não assusta, contudo, o austríaco Michael José Morf: “economicamente eu penso que a vida no Rio é tão cara quanto a vida em Salzburgo (Áustria). No entanto, a maior diferença é que em Salzburgo tinha a possibilidade de trabalhar ao mesmo tempo que estudava.” Michael sublinha ainda que a experiência está a ser bastante rentável tanto pelas experiências interculturais quanto pelo peso que o intercâmbio vai ter no seu currículo.

Mas quem são estes alunos?


Portugal e França são os países com maior representação dentre os intercambistas presentes na UFRJ. Os motivos pelos quais os alunos das universidades portuguesas escolhem o Brasil para estudar são fáceis de observar: familiaridade com a língua e até com a cultura. Contudo, porque é que os franceses escolhem a UFRJ?

A França é o país que detém o maior número de convénios. São cerca de 49 instituições francesas as que têm parcerias com a universidade do Rio de Janeiro. Se estabelecermos um termo de comparação, a França tem mais convénios com a UFRJ do que universidades de todo o continente americano. Os dados, esses, foram obtidos no site do Setor de Convénios e Relações Internacionais (SCRI) da UFRJ.

É de referir ainda que mais de metade dos alunos são mulheres e a idade que mais figura está entre os 20 e os 24, cerca de 87% dos intercambistas segundo a amostra.

Gastos aumentam quando estudante mora longe


Moradora de Cosmos fala sobre as dificuldades de sair de casa para ficar próxima à faculdade na Zona Sul do Rio de Janeiro


Morar perto da faculdade facilita a e traz praticidade à vida de qualquer aluno e, por isso, muitos estudantes se submetem a moradias superlotadas, desconfortáveis e/ou de alto custo. Natascha Oliveira, 20, é graduanda de Publicidade e Propaganda na Escola de Comunicação da UFRJ, no Campus da Praia Vermelha, na Urca. A jovem morava com os pais em Cosmos, na zona oeste do Rio de Janeiro, mas após um ano e meio na universidade, resolveu se mudar. Ela levava, no mínimo, duas horas no trajeto: fazia integração do trem com ônibus ou trem com metrô.  Quando acontecia algum problema na Supervia, ela tinha que pegar três ônibus: um para o centro, outro para Campo Grande, e, finalmente, o último para casa.

Além da distância que enfrentava, a estudante conta: “O péssimo serviço de transportes públicos nos horários de ir para faculdade e voltar do estágio para a casa me motivaram a tomar essa decisão”.  Portanto, no início deste ano, no seu quarto período na faculdade, Natascha se mudou para uma “república”, no Catete, que dividia com mais 17 pessoas. Ficou lá até setembro porque, segundo ela, estava “rolando uns perrengues” de falta d’água e luz, e o sumiço de alguns objetos pessoais.

Agora ela mora em um hostel em Botafogo, dividindo o quarto com mais três pessoas. Os gastos são maiores, já que pelo grande número de pessoas que dividiam a “república”, o aluguel ficava próximo a R$400,00. Hoje, ela paga em torno de R$600,00 para ter um pouco mais de conforto. “O Catete é um bairro mais popular, o que me permitia gastar bem menos, não só para me manter, mas no aluguel mesmo. Botafogo é bem mais caro, ainda mais perto do Humaitá, que é onde eu vivo atualmente”, diz.

O aluguel é pago pelos pais, mas a bolsa que ganha no estágio, de R$720,00 mais vale refeição e vale transporte, é exclusivamente usada para pagar o supermercado, o almoço (quando não consegue tempo para comer em casa) e o cartão de crédito, já que a universitária prefere comprar certas coisas a longo prazo. Questionada sobre as dificuldades socioeconômicas que encontra no cotidiano, Natascha conta que foi roubada duas semanas atrás. Ela está aguardando os novos cartões chegarem e, pior, todo seu dinheiro está preso no banco. “É complicado passar por essas situações e não ter os pais do lado. Organizar finanças, conviver com pessoas absolutamente diferentes numa casa que não é, efetivamente, a minha, é sair da zona de conforto. É meio difícil, mas tem sido um grande aprendizado”.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Aluno da ECO custa R$ 46 mil ao fim da graduação

Valor é estimado a partir dos recursos destinados à Escola e da remuneração dos professores; greve e dificuldade no acesso a dados impedem apurar mais números e com mais precisão 

 

Turma de Jornalismo Econômico 2014.1

Ao concluir a graduação na Escola de Comunicação Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ECO/UFRJ), um aluno chega a custar R$ 45,9 mil aos cofres públicos. O dado foi obtido a partir da soma dos gastos com o pagamento dos professores da Escola, mais o orçamento repassado à unidade anualmente pela Universidade, destinado às despesas de consumo, manutenção e material permanente (equipamentos). Esse orçamento foi reajustado nos últimos quatro anos em 5%, a cada ano, abaixo da inflação registrada nesse período.

O levantamento abrange os repasses entre os anos de 2011 e 2014. Para contabilizar a remuneração do corpo docente da ECO, a reportagem se baseou no quadro de professores do primeiro período deste ano, bem como o número de 1.084 alunos ativos na escola, nesse mesmo espaço de tempo, para se chegar ao custo per capita.

Em 2011, a universidade destinou à Escola de Comunicação R$ 351.061,00. No ano seguinte, a verba foi de R$ 368.614 e, em 2013, R$ 387.045. Neste ano, a ECO vai receber R$ 406.395, em três parcelas – março, julho e outubro -, segundo a diretora-adjunta de administração da unidade, Sheila Camlot.

A cada ano, a verba repassada à Escola teve reajuste de 5%, abaixo da inflação registrada entre 2011 e 2013, pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e usado pelo governo para o controle das metas de inflação. Em 2011, 2012 e 2013, o índice ficou em 6,5%, 5,84% e 5,91%, respectivamente. Para 2014, de acordo com o último boletim Focus, a inflação esperada é de 6,47%. Esse relatório, divulgado pelo Banco Central, representa as expectativas do mercado financeiro quanto à economia do país.

Para o professor de finanças Gilberto Braga, do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec) e da Fundação Dom Cabral, o repasse de verbas abaixo da inflação pode representar um risco para a qualidade de ensino.

“Não sei até que ponto a Escola consegue desempenhar sua função com um orçamento menor. Em tese, o índice de inflação pega uma média que seria o aumento geral de preços na sociedade. Um repasse de verba abaixo da inflação pode significar um risco de uma insuficiência de recursos e, portanto, você cai o padrão de ensino”, alerta. “Entretanto, isso não é uma máxima. Você pode ter uma maior eficiência com recursos menores”, observa.

Para levantar a remuneração total dos professores, os valores foram extraídos do Portal da Transparência, do Governo Federal. Para o cálculo, foram descontados 5% dos atuais vencimentos para se chegar aos valores recebidos em 2013, e mais a mesma porcentagem abatida para os valores de 2012. Com a greve naquele ano, o movimento conseguiu 15% de reajuste salarial, divididos pelos três anos seguintes – também abaixo da inflação.

Repasses insuficientes

A diretora-adjunta de administração, conforme ela própria informou, envia anualmente para a Reitoria o chamado “orçamento participativo”, que reúne tudo o que a Escola vai precisar para o próximo ano letivo. No entanto, segundo Sheila Camlot, a quantidade enviada à Escola é bem inferior ao que é solicitado no documento.

“A gente faz uma demanda anual e envia as solicitações para a Reitoria. O orçamento, normalmente, é de mais de R$ 1,5 milhão, mas só recebemos um quinto disso.  A gente envia o que a gente quer, e a UFRJ repassa o que eles podem”, explica.

Embora reconheça que o orçamento da ECO não atende às necessidades da Escola, Sheila compreende o desafio da UFRJ em distribuir verbas para todas as suas unidades.

“O orçamento da UFRJ é gigantesco. Não tem como dar para Engenharia a mesma coisa que dá para Comunicação. Não faz sentido. Deve-se resguardar as especificidades de cada curso. Por exemplo, existem laboratórios de Medicina que demandam milhares de produtos químicos, coisas que a gente não tem aqui.”

Para o diretor de Planejamento, Orçamento e Gestão da UFRJ, José Augusto Barbosa de Souza Rocha, atender a todos os pedidos encaminhados pelas unidades tornaria impossível gerir a universidade.

“Não teríamos condições de arcar com todas as despesas relativas a, por exemplo, luz, água, telefonia, vigilância, limpeza, manutenção de máquinas e equipamentos, bolsas, transporte interno e intercampi, auxílio financeiro a estudante para realização de trabalho de campo, varrição das áreas externas, poda das arvores etc.”, enumera.

Dificuldade na obtenção de dados

A reportagem teve dificuldades em apurar os dados para o cálculo final do custo por aluno. A greve dos funcionários, iniciada em março deste ano, impossibilitou um levantamento orçamentário mais apurado. As despesas com água, luz e serviços terceirizados, além de verbas para projetos de extensão na ECO, não puderam ser calculados, apesar de a equipe ter tentado o contato com os responsáveis. Segundo a direção da ECO, o primeiro repasse de 2014 destinado a material de consumo, material permanente e de serviços ainda passou por alterações por conta de despesas “mais urgentes” surgidas nesta greve.

A ECO também não tem fechado o número de alunos ativos. Para se chegar ao resultado utilizado para este levantamento, a conta teve que ser realizada pelo Sistema Integrado de Gestão Acadêmica (Siga), através de um funcionário da secretaria que somou o número de alunos inscritos de cada habilitação, subtraindo aqueles com perfis inativos ou transferidos para outras universidades, por exemplo.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Expectativa de recursos para manutenção da ECO em 2014 fica abaixo da inflação


Escola de Comunicação e outras unidades apresentam verbas anuais reduzidas aos custos básicos e algumas questões sobre destinação do dinheiro são uma incógnita

 

Turma de  Jornalismo Econômico 2013.2

 

Mesmo contando com a maior verba das Universidades Federais (gráfico 1), a antiga Universidade do Brasil, a Federal do Rio de Janeiro, UFRJ, apresenta uma distribuição de verbas bastante desigual entre cursos e unidades de ensino. A Escola de Comunicação conta com um orçamento anual de ¼ da quantia solicitada pela diretoria à Reitoria da UFRJ.  Sheila Camlot é diretora administrativa da Escola e revelou que em 2013 foi requisitado pouco mais de um milhão de reais, dos quais somente cerca de 260 mil reais foram aprovados diretamente. “Com o baixo orçamento recebido pela ECO para suas próprias necessidades, a definição de prioridades e projetos de melhoria nos cursos e instalações é quase extinta, sendo feito só o essencial”, explicou a diretora. Tais gastos básicos se resumem em produtos de primeira necessidade, como materiais de escritório e informática. 

Algumas obras de manutenção foram possíveis em 2013 devido ao apoio da Reitoria, como a revitalização de alas do Palácio Universitário, de custo aproximado a 100 mil reais. Porém ainda é possível perceber que muita coisa precisa ser feita como obras de revitalização no Laboratório de TV e vídeo da Central de Produção Multimídia, a COM, e na sala do antigo acervo da Biblioteca da Escola. Além disso, os contêiners que seriam de ajuda provisória acabaram se tornando uma solução não satisfatória para todos os cursos. O curso de Jornalismo Econômico, por exemplo, precisou ser remanejado para outras salas do Palácio e da COM devido à necessidade do uso da internet nas aulas.

Desde 2012, o orçamento da ECO deixou de incluir a verba destinada ao “Fortalecimento de espaços e pontos de cultura”, que é fornecida diretamente pelo Ministério da Cultura com o objetivo de financiar a compra de equipamentos, sem passar pela Reitoria da Universidade, e que teve, em 2013, um valor de cerca de 400 mil reais. O mesmo aconteceu com o valor destinado a “Projetos diversos de extensão”, neste ano na quantia de 145 mil reais. Dos seis projetos de extensão vinculados a este recurso, três beneficiaram diretamente o curso de Direção Teatral, que evoluiu de forma significativa nos últimos anos. Nadine Fuchshuber, aluna do oitavo período do curso, concorda que Direção Teatral tem melhorado a cada ano que passa com as verbas destinadas aos projetos. “Este ano conseguimos até a contratação de técnicos e refletores. Um aluno das antigas vai dizer que nunca teve nada disso” corrobora.

O curso de Jornalismo não aparece diretamente dentre os beneficiados. Contudo, Cristiane Costa, coordenadora do curso explicou que algumas verbas de projetos de extensão são pedidas pelos professores responsáveis e que chegam separadas da verba destinada à ECO. Por exemplo, existe verba para a produção de um Jornal Laboratório por semestre, que não aparece na lista da diretoria administrativa (Box 1).
Gráfico 1

Boxe 1

O repasse da quantia exata de R$ 263.099,00 informada por Sheila Camlot como o orçamento aprovado para a ECO em 2013, uma tabela fornecida por José Augusto, Diretor de Planejamento, Orçamento e Gestão, apresenta um valor de R$ 387.045,00. Esse orçamento foi dividido em Material de Consumo (R$ 233.318,00), Serviços de Terceiros (R$  132.889,00) e Material Permanente (R$ 20.838,00).

Para 2014 foi solicitado o valor de 1,59 milhão de reais, sendo que as prioridades serão definidas apenas a partir de março de 2014, quando inicia o mandato da nova direção eleita no início de dezembro, professor Amaury Fernandes e a professora Cristina Rego Monteiro, vencedores da eleição para nova direção para o período de 2014-2018. Apesar da quantia pedida, a expectativa é que o valor aprovado mantenha o aumento anual histórico de 5%, e não passe de 280 mil. Vale destacar que o percentual de aumento se encontra abaixo do índice nacional de inflação nos últimos anos. E abaixo da expectativa de 5,8% para fechar o ano corrente, dentro da meta do Banco Central.